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Treinamento x Criatividade

- Por Marquinhos Xavier

Você já se deparou com aquela situação em que sua equipe treinou varias vezes uma determinada ação ou uma manobra de ataque, e que tudo parecia ser imbatível? Pois é, na hora “H” algo saiu diferente do cenário que você havia preparado, e seu atleta que apenas mecanizou todo o movimento e limitou-se a reproduzi-lo sem utilizar seu poder de criatividade e inovação, acabou falhando por lhe faltar recursos de criatividade e ousadia.

Este pode ser um dos milhares exemplos que fundamentem a necessidade de buscar informações fora do nosso “Banco de Dados”, pois quando temos que resolver esse tipo de problema, nosso cérebro vai buscar soluções mais diretas, tornando a equipe ou o atleta um alvo fácil para o adversário.

Se quisermos ter idéias diferentes, temos que buscar soluções ousadas, ou então muito provavelmente elas serão parecidas para todos.

Os modelos de treinamento atual preconizam a mecanização dos movimentos, e por sua vez a limitação da capacidade criativa do atleta, talvez essa seja uma boa explicação para o chamado “Leão de Treino” esse atleta quase sempre possui boas qualidades técnicas, bons fundamentos, mais dificuldades no seu potencial criativo, aspecto que pode evidenciar o modelo de treinamento imposto pelo seu técnico.

O atleta passa estar habituado com a rotina dos treinamentos de sua equipe e não desenvolve outras capacidades, quando se depara com situações não vivenciadas nos treinamentos fica sem reação para agir, ou pior, acaba ficando inibido diante das dificuldades.

Acredito que o treinamento também tem a função de estimular o atleta a pensar em soluções diferentes para a resolução de problemas, e poderemos conseguir isso através de treinamentos que o condicionem a raciocinar sobre o problema imposto, alguns jogos de regras e de setores criados nos treinamentos podem auxiliar neste processo, tais como:

  • JOGO DAS BOLAS NA MÃO - O técnico formará duas equipes, além de uma bola do jogo cada equipe ficará com uma bola na mão, o jogo acontece com algumas regras especificas. O atleta poderá dar apenas 3(três) toques na bola do jogo, mais não poderá fazê-lo com a bola na mão, sempre que estiver com a bola na mão e receber o passe terá que transferir a bola que esta em sua mão para outro companheiro antes de progredir ou executar o passe ou uma finalização com o pé, não poderá executar marcação no adversário com a bola na mão também, por esse motivo terá que estar passando constantemente a bola que esta na sua mão, outras variações poderão ser adicionadas, como por exemplo: se deixar a bola da mão cair será executado um tiro livre.

O objetivo desse jogo é trabalhar membros inferiores e superiores utilizando os dois hemisférios do nosso cérebro, desenvolvendo coordenação dos movimentos motores primários e o raciocínio criativo, pois a equipe terá que desenvolver estratégias diferentes do jogo tradicional para obter sucesso, caso contrário não conseguirá. Este é um treinamento totalmente diferente da realidade do jogo, mais que com certeza irão evidenciar a importância de elaborar soluções diferentes.

Costumo dizer que quando vamos enfrentar um adversário prevemos inúmeras ações, mais não podemos esquecer que durante uma partida outras tantas ocorrem, e se nossos atletas não estiverem preparados para observá-las e reagir às mudanças, muito provavelmente o sucesso poderá não ocorrer ou ocorrer de maneira pouco satisfatória.

O tema apresentado tem apenas o objetivo de servir de informação e de alerta, acredito que uma analise e discussão mais aprofundada sobre o assunto poderá nos ajudar e consequentemente proporcionar aos nossos atletas subsídios para que possam melhorar seus desempenhos individuais. Um grande abraço e sucesso...

Sobre Marquinhos Xavier

Professor Esportivo
Assit. Técnico e Preparador Físico de Futsal


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