Artigos Futsal

Jogando contra o Goleiro-Linha no Futsal

- Por Carlos Henrique Simões

Tem-se observado que equipes que disputam jogos de futsal em alto nível acabam sempre enfrentando os chamados “Goleiros-linha”. E o que se pode fazer para eliminar essa "vantagem numérica circunstancial" ? Pode-se reverter essa situação tornando-a desvantajosa para a equipe adversária?

O que chamo de “vantagem numérica circunstancial” surgiu como recurso a partir de meados da década de 90, com a abertura da regra do jogo, que permitiu que o goleiro passasse a jogar com os pés. No início tentou-se fazer com que os goleiros se adequassem ao novo recurso, porém, salvo algumas exceções, não era tão proveitoso, já que na época a maioria dos goleiros ainda não estava preparada para a realização da nova tarefa.

Notando isso, e com a brecha na regra, alguns treinadores começaram a utilizar jogadores de linha para executar a tarefa, selecionando os jogadores de melhor passe para realizar a função. E principalmente nos finais de jogos, onde a equipe precisa do resultado, aciona-se o goleiro-linha.

Entendendo até aqui esse mecanismo de ação, devemos nos ater aos métodos a serem adotados para que essa situação não tenha efeitos negativos em nossa equipe.

A primeira verificação a ser feita é a distância que a equipe adversária utiliza o recurso. Se estivermos numa quadra relativamente grande (a partir de 32m X 18m) e o goleiro-linha estiver na quadra adversária, a marcação pode ser mantida a inicial, pois um chute nessa distância, teoricamente, é fácil para o goleiro efetuar a defesa. Mas conforme houver a aproximação do goleiro-linha para a quadra de ataque, nossa preocupação deve redobrar.

Podemos usar dois tipos de marcação para retardar as ações do goleiro-linha: o "losango" e o "quadrado".

Marcação Losango

No losango temos uma marcação de expectativa, onde se espera o adversário errar, mas que pode se configurar numa ação eficaz se bem utilizada. Nela o pivô deve sinalizar que estará marcando o goleiro-linha, e com ele os nossos dois alas deverão marcar o fixo e o ala da equipe adversária, fazendo uma linha de frente no mesmo esquema da marcação que comumente chamamos de “gangorra”, estando sempre o ala oposto ao homem da bola fazendo a cobertura juntamente com o pivô no centro da quadra (Quadro 1 e 2).

No fundo da quadra deverá estar o fixo, e este sim deve ter atenção redobrada nesse tipo de marcação, pois estará imbuído de marcar ala e pivô adversários (Quadro 3). Ele deve se movimentar de acordo com a trajetória da bola. Se a bola estiver na ala direita, o adversário postado no fundo da quadra e à ala direita deverá ser o marcado. Se estiver na ala esquerda, o adversário no fundo da quadra e à ala esquerda deve sofrer a mesma pressão. Dessa forma estaremos inibindo as ações dos jogadores de fundo que poderiam parecer estar livres de marcação.




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